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Thomás Guida

Comunicação, filosofia, literatura e música

Mulheres que influenciaram minha semana #5

Koko Taylor – cantora de blues

Os pais de koko Taylor morreram jovens nas plantações de algodão do Tenessee, apesar das dificuldades conseguiram dar uma pequena educação formal a filha, que desenvolveu paixão pela música ouvindo canções gospel e o blues das plantações. Koko se casou com um motorista de caminhão e juntos se mudaram para Chicago, em 1952. Como ela mesmo dizia, chegaram em Chicago com um pacote de biscoitos e 35 cents.

Ela trabalhava como empregada doméstica e frequentava os clubes de blues aos finais de semana, onde foi descoberta por Willie Dixon (lenda do blues). Gravou seu primeiro hit em 1966, Wnag Dang Doodle, pela Chess Records, levada por Dixon.

 

Em 1969, o dono da gravadora morreu e ela foi dispensada. Voltou a trabalhar e ganhar a vida como doméstica. Só voltaria a ter um contrato em 1975, com a Alligator Records, e desde então, para nossa alegria,  se tornou a “Rainha do Blues”.

 

Koko Taylor, a RAinha do Blues, morreu em 2009, deixando um riquíssimo legado musical.

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O maior pessimista da história da filosofia e sua ideia de felicidade

schopenhauer

O livro que mais me influenciou neste 2017, sem dúvidas, foi A arte de ser feliz, reunião de escritos póstumos de Arthur Shoppenhauer sobre o tema (Editora Martins Fontes, 2a Edição, 2005). O autor, reconhecidamente um pessimista ferrenho, expõe em 50 máximas o seu entendimento sobre felicidade e os caminhos para ser mais feliz. Abaixo, reproduzo a máxima que mais me encantou nessa leitura tão prazerosa (página 61):

Máxima 38

“Cada um de nós vive em seu próprio mundo, que difere de acordo com a diversidade das mentes. Conforme essa diversidade, ele pode ser pobre, insosso, superficial, ou rico, interessante, significativo. Até mesmo a diversidade que o destino, as circunstâncias e o ambiente produzem na vida de cada um é menos importante do que a diversidade das mentes. Além disso, enquanto a segunda diversidade, estando nas mãos do acaso, é mutável, a primeira é irrevogavelmente estabelecida pela natureza.

Por esse motivo, tanto no bem quanto no mal, é infinitamente menos importante o que acontece na vida de uma pessoa do que o modo como ela o recebe e o grau de sua receptividade de maneira geral. É comum alguém invejar injustamente outra pessoa em virtude de alguns acontecimentos importantes da vida dela. Em vez disso, deveria invejá-la pela receptividade em virtude da qual tais acontecimentos parecem tão interessantes na sua descrição. O mesmo acontecimento que, sucedendo a um gênio, resulta extremamente interessante, numa mente vazia se tornaria uma cena insignificante do cotidiano. Do mesmo modo, para o melancólico já constitui uma cena trágica aquilo que para o fleumático e o sanguíneo pouco representa. Deveríamos, portanto, pensar menos em possuir bens externos e mais em manter um temperamento sereno e feliz, em preservar um bom senso saudável, que em parte dependem da saúde: mens sana in corpore sano [“mente sã em corpo são”, Juvenal, Sátiras, IV,10, v. 356].

Logo no início da minha exposição sobre o eudemonismo, eu disse que aquilo que temos aquilo que representamos constituem dois aspectos decididamente subordinados àquilo que somos. Somente o estados da consciência permanece e opera continuamente: todo resto age apenas temporariamente. Mas, uma vez que a vontade traz sempre muito sofrimento e pouca alegria real, de grande importância são o domínio do intelecto sobre ela, a grande vitalidade e a capacidade que o intelecto tem de afastar o tédio e tornar o homem rico em si mesmo, proporcionando benefícios infinitamente maiores do que todas as distrações que a riqueza pode comprar, além de um espírito prazenteiro e sensato. Com relação à felicidade da nossa existência, o estado, ou seja, a conformação da consciência constitui a parte mais importante. Pois, na verdade, somente a consciência é o elemento imediato, enquanto todo resto é mediato, agindo por meio da consciência e na consciência. Na medida em que nossa vida, ao contrário do que ocorre com as plantas, não é algo inconsciente, mas consciente, tendo, portanto, como base a condição normal uma consciência, evidencia-se que a conformação e o grau de perfeição desta consciência são as coisas mais essenciais para uma vida agradável ou desagradável”.

Leandro Karnal, colunista do Estadão – Filosofia e mídia #3

 

O historiador/filósofo Leandro Karnal também é filósofo/cronista – colaborador do jornal O Estado de S. Paulo há mais de um ano. Maria Fernanda, repórter de literatura do Caderno 2, entrevistou o pensador que estava lançando à época o seu décimo segundo livro: Diálogo de Culturas, um compilado de crônicas publicadas no jornal paulista.

“O Estadão dá uma voz magnificada. Ou seja, qualquer coisa que eu digo atinge muita gente. E atinge num grau muito maior do que eu sou como pessoa. Eu descobri que a mesma frase, a mesma ideia, fará com que eu seja amado, odiado ou cause indiferença. A mesma frase provocará a seguinte reação: ‘que profundo’, e outro ‘que babaquice’, e o outro ‘você é muito agressivo’, e outro ‘que doçura’. A mesma frase!”

Vale lembrar que Karnal também é colunista de rádio, da Band News FM, com a coluna semanal “Careca de Saber”. O professor Karnal também é comentarista do Jornal da Cultura, ao lado de outros colegas como Luiz Felipe Pondé e Mário Sérgio Cortella.

“Surgem agora com as redes sociais outras categorias. Pessoas de sólida formação, como Clóvis de Barros, como professor Cortella, como o professor Pondé, todos estiveram em grandes universidades, com títulos máximos, dando opinião permanentemente sobre relações humanas, em todos os campos. Eu acho esse trabalho muito importante. Eu me sinto diminuído no meu potencial político se eu restringir tudo aquilo que caracterizou a minha formação a fazer o que eu farei neste semestre na Unicamp, dar aula na pós graduação para 15 alunos. Ora, dar aula para 15 alunos é muito importante, porque eu estou formando professores universitários (…) me dedico com entusiasmo a essas aulas, mas se eu puder traduzir isso para muito mais gente?”

 

O pensador público Pondé – Filosofia e mídia #2

 

“O filósofo que que eu queria ser, desde o começo da faculdade, pra mim já era muito claro que eu queria trabalhar tanto na academia quanto na mídia. Então, isso era um foco, um objetivo. Eu penso que a filosofia só na sala de aula, apesar de ser muito boa em sala de aula, ela não cumpre a sua missão completa. É bom lembrar que a filosofia nasceu na praça pública em atenas, nasceu como uma forma de discutir a vida real. A filosofia não nasceu como uma forma de dizer se os anjos tem ou não sexo. . .”

A fala acima foi retirada de um dos muitos vídeos que o filósofo Luiz Felipe Pondé compartilhou em seu canal no Youtube. Sim, o filósofo hoje está na mídia, não só como fonte, mas como produtor de conteúdo, e Pondé talvez seja o melhor caso para exemplificar esse “filósofo 2.0”.

Além de canal próprio no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCW9jLtlONRp7W-AK9F8M66Q/featured?disable_polymer=1), com mais de 210 mil seguidores, Pondé é colunista do jornal Folha de S.Paulo, comentarista do Jornal da Cultura, exibido de segunda a sexta, às 21 horas na TV aberta e mantém intensa agenda em programas televisivos de entrevistas, em rádios e na internet. Fora o Twitter, Instagran e Facebook oficiais do filósofo.

Além disso, o filósofo, escritor, professor e palestrante possui uma assessoria de imprensa para cuidar de suas mídias sociais, como explica no vídeo abaixo:

 

Em outro vídeo bastante interessante, integrante de uma série promovida pela editora Salvat, Pondé debate quem é o filósofo hoje em dia, afirmando que o filósofo contemporâneo tem uma função muito parecida com o que tinha na Grécia de Platão, Sócrates e Aristóteles:

“Assim como na Grécia antiga, o filósofo lida hoje com uma sociedade em crise, em transformação, instável…O filósofo está na rua, está na mídia. A mídia é a grande ágora contemporânea… “

 

 

Mulheres que influenciaram minha semana #4

Martha Nussbaum – Considerada por muitos especialistas como a maior filósofa viva da contemporaneidade, a norte-americana Martha Nussbaum, professora da Universidade de Chicago, despontou como escritora consagrada com o livro A fragilidade da Bondade, de 1986, considerado um dos livros mais importantes do século XX. Seria extenso listar aqui os diversos prêmios que a filósofa, que também lecionou em Harvard, conquistou em sua trajetória. Recomendo a leitura de um perfil feito pela jornalista Rachel Aviv, da revista The New Yorker, traduzido para o português pela revista Piauí, disponível aqui: piaui.folha.uol.com.br/materia/a-filosofa-dos-sentimentos/ 

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FOTO: JEFF BROWN_THE NEW YORKER

 

Filosofia e mídia #1

Em novembro de 2010, o programa Observatório da Imprensa, comandado pelo jornalista Alberto Dines, debateu o reduzido espaço e a pouca atenção que a mídia oferece para reflexões filosóficas e científicas (problema que continua atual).

Dines entrevistou o jornalista e filósofo Adauto Novaes, que criou uma experiência inovadora que perdura por mais de três décadas no Brasil, o ciclo de conferências Mutações. Até 2010, foram realizados 30 ciclos, em 7 cidades brasileiras. Cada ciclo se transformou em um livro, que até a data do programa, tinham atingido a marca de 200 mil exemplares vendidos.

Também participaram do programa o filósofo Franklin Leopoldo e Silva e Newton Bignotto, assíduos participantes do ciclo criado por Adauto.

Na abertura do Observatório, Alberto Dines faz interessante reflexão, com sua elegância habitual, que reproduzo em parte aqui:

“Alguns otimistas etiquetam os nossos tempos como a era da informação, outros preferem uma designação mais cautelosa, mais cética. Segundo eles, estaríamos na era da indiferença. Uma terceira visão aprece mais equilibrada e mais adequada. A era da informação, nosso dilúvio informativo, produz uma fragmentação e uma secundarização que desaguam em uma espécie de letargia coletiva e globalizada.

Informação e indiferença, portanto, fariam parte do mesmo pacote. Isso significa que  a sociedade contemporânea está desperdiçando a capacidade humana de buscar o sentido das coisas? Perdemos a capacidade de digerir as mudanças descarregadas pela galáxia novidadeira? As tensões e os estresse, artificiais ou não, de uma sociedade espetacularizada,  não estariam nos empurrando para uma banalização que encara a filosofia como uma chatice? Penso, logo existo, saiu de moda?

A imprensa tem muito a ver com esta onda de simplificações e esta perda de transcendência. Ao abdicar do papel de alavanca para indagações, ela estimula o simplismo, o reducionismo, e também a irracionalidade. Para o brasileiro médio, Sócrates é uma grande estrela do futebol, médico, corinthiano, capitão da nossa seleção em 1982. Mas sobre o seu homônimo precursor, o filósofo grego Sócrates, é uma abstração.”

O programa está dividido em 4 blocos:

Escrever um romance – palestra de Mario Vargas Llosa

Llosa descreve o seu método de trabalho e investigação para escrever uma novela, além de suas influências literárias, entre elas a que considera o seu romance favorito: Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e também comenta Os Sertões, de Euclides da Cunha

 

Creio que cada escritor inventa seu próprio sistema de trabalho a partir de sua personalidade. Em alguns casos o fazem de maneira lúcida e consciente, e outros casos por intuição ou por instinto, de uma maneira inclusive, obscura para ele.

Mario Vargas Llosa

A palestra do escritor peruano ganhador do Prêmio Nobel, em 2010, foi compartilhada pelo canal Peru Cultural. É uma rica colaboração de Vargas Llosa para quem deseja escrever um romance.

No minuto 33′ do vídeo, Vargas Llosa fala sobre sua experiência ao escrever A Guerra do Fim do Mundo, novela que se passa no Brasil, em Canudos, no interior da Bahia, aos fins do século XIX. Ele fala da grande influência que o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, classificado por ele como extraordinário, marcou sua vida. É fascinante ouví-lo sobre Canudos, pela paixão e fascínio que ele demonstra pela história da guerra, dos rebeldes e da vida de Euclides.

No minuto 57′, fala de Madame Bovary, de Flaubert, e suas impressões sobre o livro, para ele, uma obra prima, e principalmente sobre o autor, que o fascinou profundamente quando teve contato com sua biografia e cartas que escreveu na época em que Flaubert escrevia Madame Bovary.

 

A ideia do ano na música é da americana Esperanza Spalding: projeto “Exposure”

Esperanza Spalding é uma das mais talentosas artistas da nova geração do jazz americano. A cantora, compositora e exímia baixista, a mais jovem professora da renomada escola de música de Berklee, está com um novo projeto que promete ser inovador e único.

Seu próximo álbum intitulado “Exposure” será uma experiência a ser lembrada, uma das ideias mais interessantes da música nos últimos anos.

“Exposure” na verdade ainda não existe – apenas como conceito. No próximo dia 12 de setembro, Esperanza e seus músicos vão entrar no estúdio sem qualquer material preparado anteriormente para dar vida a esse disco: compor, tocar, cantar, gravar e mixar o disco que será transmitido ao vivo pelo Facebook.

Serão três dias de gravações, e no final, o material será transformado no álbum “Exposure”, que terá tiragem de apenas 7.777 cópias.

 

 

A princípio, a ideia é escrever 10 músicas para o projeto, todas com letras.

Em recente visita ao Brasil, Esperanza, que fala português muito bem, tocou com o violonista Guinga, músico pelo qual ela tem profunda admiração:

A paixão de Esperanza pela música brasileira

Em quase todos os seus discos, Esperanza tocou uma música brasileira. Foi assim em seu primeiro disco, “Junjo”, de 2006, quando gravou Loro, de Egberto Gismont:

“Ponta de Areia”, de Milton Nascimento, é a música de abertura de seu segundo disco, de 2008, que leva seu nome:

 

No mesmo disco, ela executa talvez a mais bonita das gravações em português de uma cantora gringa: “Samba em Prelúdio”, de Baden Powel:

 

Entre o segundo e o terceiro disco, tocou ao vivo “Coisa Feita”, clássico de João Bosco:

 

No terceiro disco intitulado “Chamber Music Society”, de 2010, gravou com seu grande ídolo Milton Nascimento a bela “Apple blosson” e “Inútil paisagem”, de Atonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira:

 

Mulheres que influenciaram minha semana #3

  1. Guitarrista sul coreana Yenne Lee toca o clássico Autumn leaves:

 

2. A poderosa cantora Erika Wennerstrom, da banda Heartless Bastards. Uma voz diferenciada, expressiva. Belíssima artista.

 

3. Ella Fitzgerald – Ponto. Não é preciso dizer mais nada. Apenas ouvir.

 

4. Mujeres al frente – A revista colombiana Arcadia, uma das melhores publicações de jornalismo literário e cultural da América Latina, está produzindo uma série de vídeos sobre artistas femininas de Bogotá, a capital colombiana. Neste capítulo, eles apresentam a cantora de origem irlandesa Katie James.

A Revista também preparou um artigo sobre a trajetória de Katie James, disponível aqui.

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